A minha foto
Antes… Um velho apartamento, antigo, cheio de memórias, mas esquecido, abafado, com os seus belos tectos descurados, paredes feridas, portadas cerradas, onde reinava a escuridão, soalhos de madeira desgastados, pisados pelo tempo, um tempo que foi passando, enquanto toda aquela beleza de um lar, ali estava em agonia, sufocada e condenada ao esquecimento, de dia para dia. Depois… Duas pessoas, à procura de um canto para reconstruir, para viver, decorar com o seu toque pessoal, com glamour, onde imperassem os pormenores vintage, art nouveau, déco, entre outros detalhes derivados de duas fortes personalidades. A cada dia, um desabrochar de novidades, de ideias, de momentos erguidos, de descobertas, de gostos glamorosos, um pequeno mundo, dentro de outro mundo. Um apartamento que ganhou vida aos poucos enriquecido de importantese significativas características pessoais.

A escolha da casa.






O desejo de vir para Lisboa já é antigo, mas muitas coisas tinham impedido este desejo de se realizar até então. Via-se anúncios, explorava-se páginas de imobiliárias na Internet, andava-se de cabeça no ar à procura de janelas com tabuletas com o famoso “Vende-se”, mas nada mais do que isso. Mas como quem não quer a coisa, sem saber se iria ser uma luta fácil ou não, e fartos de adiar este passo, decidimos marcar mesmo a visita a algumas casas na capital. Velhas, eu sei, porque além de serem mais baratas, o bichinho de vir para restaurar é forte e portanto o destino da famosa casa, caso viesse a existir, era mesmo para restaurar. Tudo ao pormenor como é evidente, pois grande parte das coisas que vimos por aí mete-nos as mãos na cabeça, de loucos que ficamos ao ver a insensibilidade das pessoas na restauração de casas de traça antiga da capital e por este país fora, que cada vez mais “mata” o nosso avultado património. Sim eu repito, traça antiga, pois é mesmo essas que procuramos. Os soalhos em madeira, o pé direito altíssimo, os estuques trabalhados nos tectos, as chaminés em pedra, são mesmo essas cosiam que queremos. Não procuramos modernices, mas sim um regresso ao passado… E no meio de tantas casas… Fez-se luz… Um anúncio, mais que outros, despertou-nos a atenção. Marcamos para ir ver, embora estranhássemos, pois a imobiliária que  vendia o dito apartamento é uma imobiliária de casas de luxo, casas de grande porte, de valore avultados e esta casita de traça antiga meio desleixada, esquecida e abafada no meio de tanto brilho não deixava de ser um pouco estranho. Mas fomos. Subimos até ao primeiro andar, piso do “dito cujo”, encontramos um prédio mal cuidado, com paredes esgarafunchadas que faziam lembrar as gravuras do Foz Coa e eis que chegamos a uma casinha de duas portas cinzentas que dão para as famosas escadas de madeira desgastadas do tempo. Entramos, bisbilhotamos, sussurramos e sem grandes opiniões expostas no momento viemos cada um com os seus pensamentos. Cá fora, sou sincero, um pendeu mais para a “coisa” que o outro, mas no final e como sempre (os amigos não entendem como…) chegamos sempre a um feliz consenso… será isso uma das coisas que nos une? Bem mas isso não interessa para aqui… É esta. É esta que vamos querer. Uma pequena cozinha, diria cozinha de bonecas, uma divisão junto a esta cozinha, uma outra divisão interior chamada de quarto interno junto a um quarto de banho construído posteriormente pois no ano da feitura do prédio não se faziam quartos de banho, e 3 divisões na frente da casa, todas com janela para a estrada, um pequeno corredor e duas varandas, uma na frente e outra maior nas traseiras. Resumindo, um apartamento T4, de divisões pequenas à moda antiga é claro, com aproximadamente 95 m2, num prédio centenário O preço em conta para o estado da casa não deixou mesmo assim de nos levar a esgravatar mais uma descida, coisa que fizemos prontamente e que foi um pouco dificultada ao nível de tempo devido ao proprietário da casa em questão estar sempre no estrangeiro, mas que por sua vez foi facilitado os contactos devido à sua irmã ser amiga da vendedora e que portanto lhe estava a fazer um favor de lhe arranjar compradores para um dos velhos apartamentos de família. (Agora percebemos porque estava esta pérola da antiguidade no meio dos apartamentos de luxo da imobiliária… Era um favor.) O prédio era de família, e o dono decidiu dividir as propriedades horizontais e vender as fracções. Só resta esta, a de baixo desta e uma loja, fechada há anos, cerrada por uns estores antigos de metal azuis e que segundo apuramos foi uma mercearia que é para ser transformada em habitação de futuro. O prédio, bonito, forrado de azulejaria antiga e adornado no telhado por 5 peças de cerâmica da Fábrica da “Viúva lamego”, ao todo tem três pisos, (r/c, 1º e 2º andar), duas fracções por piso. Metidos os papéis ao banco, aguardados alguns dias de imensa ansiedade e a “coisa” até correu bem. A casa é nossa. Fiquem com estas imagens do que encontramos na primeira visita.

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