Quando olhávamos as paredes e
tentávamos estudar o que deveríamos fazer, deu-nos a sensação que existia ali
num determinado local alguma coisa mal feita! Olhávamos para uma das paredes e
parecia-nos ver uma racha muito leve e sumida mas muito direita a alguns
centímetros de uma das paredes mestras. Ficamos desconfiados que talvez tivesse
existido ali uma porta. Mas porque estaria a porta escondida? Porque teria a
porta tapada? Será que tinha existido ali mesmo uma porta? Mais tarde através
de umas plantas muito antigas que nos chegaram à mão confirmamos a nossa
desconfiança. Era mesmo uma porta que ali tinha existido e que dava acesso ao
quarto interior. Aquela e uma outra que ainda hoje existe. Pois é, existia ali
um quarto interno que ainda cá está, mas com duas portas. Eu explico:
Antigamente não existia casas de banho nestes prédios de traça antiga em
Lisboa. Outros tempos... E mais tarde, quando o prédio sofreu algumas obras, os
proprietários decidiram dividir o quarto interno em duas divisões. Ou seja,
surgiu desta divisão um quarto interno minúsculo e uma casa de banho. A porta
alta e de origem, onde estava, não poderia existir pois teria sido ali colocado
do outro lado da parede, o lavatório, portanto esconderam a porta antiga,
enorme e majestosa, para darem existência a uma porta mais pequena, que se pode
ver na imagem e qua nada tem a ver com as restantes da casa pois nem a bandeira
em vidro tinha. Não aguentamos tal barbaridade e decidimos como é obvio anular
toda a trafulhice ali criada. Metemos mãos à obra, mãos às paredes e depressa
desafogamos o espaço que ali havia sido encerrado por pladures e suportes metálicos
como se pode ver na imagem do lado direito. Lá dentro estavam também os
barrotes de madeira antigos que pertenciam à estrutura da parede em forma de
rectângulo e que acompanhavam a enorme porta que ali tinham enterrado e que
fizemos questão de lhe dar vida novamente. Desaparecer, vai desaparecer a porta
minúscula e horrenda que se vê do lado esquerdo da imagem e que é uma ofensa ao
bonito design destes prédios de traça antiga. Depois mais tarde mostraremos a
hora em que iremos tapar aquela porta parasita e medonha que nem antiga nem
contemporânea é.
Nesta imagem que se segue vemos a porta parasita sem bandeira do lado esquerdo e o espaço da porta escondida durante anos do lado direito. No lado direito, pode-se verificar a moldura metálica que suportava os pladures que esconderam e mal o espaço da antiga porta que havia sido encerrada para do outro lado dar lugar a um lavatório dentro de uma casa de banho criada à pressão e sem gosto.
Na imagem seguinte já se percebe o porquê de terem escondido a porta antiga e ter feito uma nova mais ao lado. Reparem no espelho que está na parede colado à porta antiga. Por baixo foi colocado um lavatório branco, portanto a porta alta e com bandeira de origem não podia ai existir. Note-se também no tecto a divisão incerta que provocaram para fazer de um quarto interno, um mini quarto e uma casa de banho. Estava dividido por pladures, mas aqui já foram retirados como se pode ver pelas marcas no tecto. Obras horrendas e sem gosto. Vai ficar tudo muito mais bonito feito por nós. Juro.
Somos ecológicos e gostamos de aproveitar tudo o que der
para aproveitar, portanto repare-se que aqui nesta imagem, embora a porta parasita
ainda não esteja totalmente encerrada por nós, já tem uma parte tapada por
baixo. Porquê? Eu explico: Para aproveitarmos uns tijolos de burro que tivemos
de tirar da zona da chaminé na cozinha ao colocarmos o novo chão, decidimos guarda-los
para o caso de serem preciso de futuro. Ainda bem que o fizemos. Olhem o jeito
que nos deram... Por cima levará tijolo normal. Depois mostramos.
Na imagem seguinte vê-se uma das maiores barbaridades que aquela
porta parasita ia provocar. Reparem que para ela estar ali, a outra porta de
origem que pertence a uma divisão ao lado, teria de abrir para cima dela. Ou
seja, uma porta abria para cima da outra como se duas tábuas paralelas ali
estivessem colocadas. Não quero comentar mais tal feito. Vamos colocar isto
tudo bonito? Claro que sim. Até breve. Depois vão ver como fica.
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