A minha foto
Antes… Um velho apartamento, antigo, cheio de memórias, mas esquecido, abafado, com os seus belos tectos descurados, paredes feridas, portadas cerradas, onde reinava a escuridão, soalhos de madeira desgastados, pisados pelo tempo, um tempo que foi passando, enquanto toda aquela beleza de um lar, ali estava em agonia, sufocada e condenada ao esquecimento, de dia para dia. Depois… Duas pessoas, à procura de um canto para reconstruir, para viver, decorar com o seu toque pessoal, com glamour, onde imperassem os pormenores vintage, art nouveau, déco, entre outros detalhes derivados de duas fortes personalidades. A cada dia, um desabrochar de novidades, de ideias, de momentos erguidos, de descobertas, de gostos glamorosos, um pequeno mundo, dentro de outro mundo. Um apartamento que ganhou vida aos poucos enriquecido de importantese significativas características pessoais.

Ficamos zangados. Onde está o visor de porta original?

Infelizmente, sabe-se lá porque motivo, existe quem se incomode com o que é bonito. Os visores de porta do prédio, em ferro, antigos, de rodar, são uma das coisas que mais brilho dá a este local. Mas... Reparem só na aberração que nos deixaram na porta... [Imagem em baixo] Mas somos persistentes e vamos encontrar um visor igual, mesmo igual aos outros. Tivemos azar. Esta casa foi a única que ficou com esta triste herança, até ver...



Eliminar tintas velhas e acumuladas.

Não imaginam a panóplia de cores que por aqui encontramos. As antigas, caracteristicas destas casas e que deveriam estar nas paredes, causando os “marmoreados”, foram-se, como é óbvio, mas queremos por aqui empregar pelo menos cores fixas nas paredes e quem sabe alguns tectos, que façam relembrar o antigo. Mas essas cores e tintas ainda vão demorar, portanto para começar, temos de eliminar as pastas, mesmo pastas, de tintas que colocaram ao longo de anos nas portas, portadas e janelas. Nem imaginam o que encontramos... Camadas e mais camadas. Não somos empresa, somos particulares, singulares, simples amadores, portanto lá nos valeu uma simples mas muito útil pistola de ar quente da "Leroy Merlin" (http://www.leroymerlin.pt), este nosso grande aliado, pois é lá que temos andado a “cuscuvilhar" tudo o que vamos precisar. Foi fabuloso, e o resultado não podia ter sido melhor.



Quadro eléctrico assustador.

Por falar em instalações eléctricas, não quero que fiquem sem conhecer o famoso quadro existente na casa. Pouca potência, minúsculo e muito mau. Para eliminar e "restaurar", é claro. Tudo aos poucos...


Mais instalações eléctricas.

E continuamos com as instalações eléctricas. Muita coisa a fazer em todas as divisões, muitos interruptores, muitas fichas, de forma a que exista sempre em todos os cantos pontos de luz de forma a que nunca fiquemos "desarmados"...






Instalação eléctrica por dentro das tabicas.

Como já dissemos tudo é para restaurar, mas aos poucos. Nada de pressas porque como já referimos somos nós que vamos fazer quase tudo. E existe vida para além da “Casa Portuguesa”. Abrir roços e colocar por dentro das tabicas  toda a instalação eléctrica, é um dos primeiros passos. Tudo mesmo. Mas com cuidado. O cuidado que muitas empresas não teriam para fazer este tipo de trabalho. Aliás, perguntamos em alguns lados se o aconselhavam a fazer e disseram logo que não... “- Isso (os canos),não cabe dentro deste tipo de paredes.” Foi a resposta mais ouvida. Veremos... Somos persistentes. E tudo com segurança.
Já agora convem referir: Um de nós é “crânio” nestas andanças de electricidade.
Fiquem com as imagens em que se começou a abrir os roços nas paredes e a colocar os tubos retrácteis onde vão passar os fios. Coube ou não?




O novo chão da cozinha

O Novo chão da cozinha já cá canta... Ou já cá se pisa... Tentamos manter os milimetros entre uma tábua e outra, para que o parecido ao antigo seja o mais perfeito possível. Numa das imagens que mostramos ainda dá para ver o chão velho a contrastar com o novo. Foi um trabalho feito com muito cuidado. Lembrem-se que tudo está a ser feito por nós. TUDO. Quer dizer; existem coisas que não vamos poder mexer como as canalizações de água e gás, mas tudo o resto que aqui se fez, se faz e se vai fazer (para aí 99%) é feito pelos “doninhos do mini palacete”. Mas pronto, por enquanto tudo é feito sem intervenção de terceiros. Autodidatas q.b. Confesso que o chão depois de colocado tem um aspecto demaisado novo para apreciadores do “antigo”, portanto vou confessar um segredo. Vamos deixar caír, pisar, sujar, “estragar” um pouco para que fique mais parecido com o já existente...




O Chão da Cozinha

Aquilo que mais nos “assustou” foi a cozinha. O chão também de tábua corrida, estava muito degradado com os anos, principalmente na zona do lava louça. Era para retirar e substituir. Aqui a luta era arranjar tábuas  novas que fossem em tudo semelhantes às já existentes. Afinal adoramos o antigo e o velho (cuidado é claro). Todas elas eram para retirar. E retiramos. Com muito cuidado e precaução, pois à miníma falha estavamos sujeitos a causar “estragos” no técto da casa de baixo. Mas este trabalho tinha de ser feito o quanto antes, pois poderia ser um perigo andar ali... Estamos a exagerar eu sei, pois estava bem pior junto ao rodapé, mas o que tem de ser tem muita força e o chão tinha de saír. O lava louças teve de vir por acréscimo àquela desgraça de chão. Vê-se as paredes velhas por trás.
(Imagens do momento em que se retirou as tábuas velhas)




A escolha da casa.






O desejo de vir para Lisboa já é antigo, mas muitas coisas tinham impedido este desejo de se realizar até então. Via-se anúncios, explorava-se páginas de imobiliárias na Internet, andava-se de cabeça no ar à procura de janelas com tabuletas com o famoso “Vende-se”, mas nada mais do que isso. Mas como quem não quer a coisa, sem saber se iria ser uma luta fácil ou não, e fartos de adiar este passo, decidimos marcar mesmo a visita a algumas casas na capital. Velhas, eu sei, porque além de serem mais baratas, o bichinho de vir para restaurar é forte e portanto o destino da famosa casa, caso viesse a existir, era mesmo para restaurar. Tudo ao pormenor como é evidente, pois grande parte das coisas que vimos por aí mete-nos as mãos na cabeça, de loucos que ficamos ao ver a insensibilidade das pessoas na restauração de casas de traça antiga da capital e por este país fora, que cada vez mais “mata” o nosso avultado património. Sim eu repito, traça antiga, pois é mesmo essas que procuramos. Os soalhos em madeira, o pé direito altíssimo, os estuques trabalhados nos tectos, as chaminés em pedra, são mesmo essas cosiam que queremos. Não procuramos modernices, mas sim um regresso ao passado… E no meio de tantas casas… Fez-se luz… Um anúncio, mais que outros, despertou-nos a atenção. Marcamos para ir ver, embora estranhássemos, pois a imobiliária que  vendia o dito apartamento é uma imobiliária de casas de luxo, casas de grande porte, de valore avultados e esta casita de traça antiga meio desleixada, esquecida e abafada no meio de tanto brilho não deixava de ser um pouco estranho. Mas fomos. Subimos até ao primeiro andar, piso do “dito cujo”, encontramos um prédio mal cuidado, com paredes esgarafunchadas que faziam lembrar as gravuras do Foz Coa e eis que chegamos a uma casinha de duas portas cinzentas que dão para as famosas escadas de madeira desgastadas do tempo. Entramos, bisbilhotamos, sussurramos e sem grandes opiniões expostas no momento viemos cada um com os seus pensamentos. Cá fora, sou sincero, um pendeu mais para a “coisa” que o outro, mas no final e como sempre (os amigos não entendem como…) chegamos sempre a um feliz consenso… será isso uma das coisas que nos une? Bem mas isso não interessa para aqui… É esta. É esta que vamos querer. Uma pequena cozinha, diria cozinha de bonecas, uma divisão junto a esta cozinha, uma outra divisão interior chamada de quarto interno junto a um quarto de banho construído posteriormente pois no ano da feitura do prédio não se faziam quartos de banho, e 3 divisões na frente da casa, todas com janela para a estrada, um pequeno corredor e duas varandas, uma na frente e outra maior nas traseiras. Resumindo, um apartamento T4, de divisões pequenas à moda antiga é claro, com aproximadamente 95 m2, num prédio centenário O preço em conta para o estado da casa não deixou mesmo assim de nos levar a esgravatar mais uma descida, coisa que fizemos prontamente e que foi um pouco dificultada ao nível de tempo devido ao proprietário da casa em questão estar sempre no estrangeiro, mas que por sua vez foi facilitado os contactos devido à sua irmã ser amiga da vendedora e que portanto lhe estava a fazer um favor de lhe arranjar compradores para um dos velhos apartamentos de família. (Agora percebemos porque estava esta pérola da antiguidade no meio dos apartamentos de luxo da imobiliária… Era um favor.) O prédio era de família, e o dono decidiu dividir as propriedades horizontais e vender as fracções. Só resta esta, a de baixo desta e uma loja, fechada há anos, cerrada por uns estores antigos de metal azuis e que segundo apuramos foi uma mercearia que é para ser transformada em habitação de futuro. O prédio, bonito, forrado de azulejaria antiga e adornado no telhado por 5 peças de cerâmica da Fábrica da “Viúva lamego”, ao todo tem três pisos, (r/c, 1º e 2º andar), duas fracções por piso. Metidos os papéis ao banco, aguardados alguns dias de imensa ansiedade e a “coisa” até correu bem. A casa é nossa. Fiquem com estas imagens do que encontramos na primeira visita.