A minha foto
Antes… Um velho apartamento, antigo, cheio de memórias, mas esquecido, abafado, com os seus belos tectos descurados, paredes feridas, portadas cerradas, onde reinava a escuridão, soalhos de madeira desgastados, pisados pelo tempo, um tempo que foi passando, enquanto toda aquela beleza de um lar, ali estava em agonia, sufocada e condenada ao esquecimento, de dia para dia. Depois… Duas pessoas, à procura de um canto para reconstruir, para viver, decorar com o seu toque pessoal, com glamour, onde imperassem os pormenores vintage, art nouveau, déco, entre outros detalhes derivados de duas fortes personalidades. A cada dia, um desabrochar de novidades, de ideias, de momentos erguidos, de descobertas, de gostos glamorosos, um pequeno mundo, dentro de outro mundo. Um apartamento que ganhou vida aos poucos enriquecido de importantese significativas características pessoais.

Improvisos

Por aqui, enquanto as coisas não estiverem a 100% temos de improvisar. Ora liga interruptor daqui, ora liga interruptor dali... Fios para aqui, fios para ali, etiquetas nos fios para não esquecer o que pertence onde, enquanto não voltamos, e por aí a improvisar... Um confusão que vai dar a um sonho. Prometemos J







Visor de porta original.

Lembram-se de termos ficado super irritados de esta ser a única casa que não tinha o visor de porta original? Lembram-se? São capaz de se lembrar também que somos muito teimosos e que dissemos que iamos conseguir encontrar um igual aos outros das portas que existem no prédio... Pois é, e conseguimos. Depois de colocarmos um anúncio na internet a procurar alguém que tivesse um visor de porta igual ao que havia sido retirado da nossa linda porta de madeira, eis que algum tempo depois fomos contactados por um senhor que fazia demolições em prédios e que segundo ele poderia ter o que nós procuravamos. Pelo menos a fotografia ele já tinha visto, portanto não existia muito que enganar. O senhor é do Porto, mas vem com frequência a Lisboa em trabalho, portanto teriamos apenas de marcar uma hora num local qualquer a combinar para ver se era mesmo o que precisavamos e procuravamos. Na verdade, já tinhamos encontrado na feira da ladra em Lisboa, uma parte de um visor igual ao que procuravamos, mas o vendedor só tinha um dos lados e nós não poderiamos colocar o mesmo sem a outra metade, de qualquer das formas compramos, porque nunca se sabe se encontrariamos a outra metade em outro lado qualquer...  Mas voltamos ao senhor do Porto... Depois de tirarmos a fotografia a uma porta de um vizinho e de a colocar na internet, foi só aguardar que alguém se pronunciasse e este “senhor demolidor” foi um anjo que nos apareceu. O visor que nos mostrou era igual, igual e torno a dizer, mesmo igual aos das portas do nosso prédio.. Felicidade tremenda.. Claro que ficamos logo com ele. Que lindo que ia ficar na nossa porta cor de pinho envernizada. A porta (principal), já não tem tinta pelo interior, que é como vai ficar e embora ainda não esteja envernizada decidimos colocar o visor de imediato para vermos a beleza e luz que o mesmo ali ostentava... Nas imagens vemos o visor colocado na porta com a tinta velha e depois sem tinta. Confiram. Bonito não é?




Instalações eléctricas que não terminam...

As instalações eléctricas continuam. Por toda a casa é necessário instalar os canos onde vão passar os fios eléctricos da melhor forma. Tudo é para ser com segurança e certificação final. Muito roço tem de se abrir para passar fios de tomadas de interruptores, fios de ar condicionado entre outros que ainda nem iníciamos. Este procedimento é uma constante neste restauro integral. Fios e mais fios e mais fios. Mas estamos a conseguir fazer o que muitos empreiteiros/electricistas dizem para não ser feito porque não se querem chatear muito, que é colocar tudo por dentro das paredes sem estragar quase nada as tabicas existentes. Esse tem sido uma das coisas que ficou nos objectivos da colocação das ligações por dentro das paredes... Não estragar as tabicas. Tudo é para respeitar, tudo é para fazer da forma mais correcta. Sim, arranjamos quem colocasse tudo isto por dentro da parede como nós queremos, mas os valores pedidos levaram-nos a colocar uma vez mais nos nosso objectivo de restauro a colocação de tudo no interior pelas nossas mãos. Tem mais valor não tem? Dá trabalho, mas sabemos que tudo fica feito ao pormenor por nós. Um de nós até percebe de electricidade, portanto a coisa tornou-se bem mais facil.




Ficha de telefone.

Na casa também existia e existe uma ficha de telefone antiga, uma apenas, em um dos quartos deste centenário mini palácio como nós lhe chamamos. É o nosso palácio em miniatura. Esta caixa é dos anos 70. Vamos aproveita-la para ligar um Ericofon que compramos numa feira de antiguidades em Sintra. Depois mostra-mos. Fiquem com a imagem da caixa.


Pinturas marmoreadas

O Prédio onde se situa este apartamento de traça antiga, data de finais do séc. XIX. Nesta altura gostava-se de imitar vários estilos bem mais antigos e um deles, muito pouco divulgado eram as pinturas marmoreadas usadas para imitar um pouco a pedra mármore. Tentava-se imitar outros tipos de pedras mas principalmente a pedra mármore era das mais “copiadas”. Este tipo de pintura era muito utilizada nas áreas comuns das casas ou nos espaços comuns dos prédios. Aqui não foi excepção e no corredor encontramos vestígios de pinturas a imitarem o mármore. As imagens a seguir comprovam. Estas pinturas ao longo dos anos foram escondidas por camadas de outras tintas que foram sendo aplicadas nas paredes do corredor. Não vamos praticar este estilo marmoreado, mas achamos que iam gostar de ver o que encontramos.



Torneiras para todos os gostos.

E se a mistura de “mau gosto” foi muita quando tentaram renovar a casa há uns anos atras! Ó se foi. Podemos comprovar por muito disparate que aqui já mostramos. Mais um, é este mesmo: Torneira para todos os gostos. Vejam só que lindo que fica… Nem queríamos acreditar. Vamos dar cabo delas. Ai se vamos…


As maçanetas das portas interiores.

Por aqui e como já vos temos vindo a dizer, tudo está assim um pouco assustador. A nossa tarefa não está a ser fácil! Mas somos teimosos não é? Pois somos e portanto tudo vai ficar num estado “brilhante” e de “luz”. Mas para a comparação do antes e do depois não podemos deixar de registar tudo o que por aqui encontramos. Vejam só estas assustadoras fechaduras e maçanetas de portas interiores! Feias, relaxadas, nem pintadas nem por pintar, uma desgraça completa! Reparem na primeira imagem, as fechaduras / trancas, que existiam do lado de dentro das divisões por cima da fechadura principal, para que a pessoa se pudesse fechar sem ninguém chatear… Tudo muito mal cuidado ao longo dos tempos.  Ai vamos dar volta a isto… Vamos, vamos.




Interruptores e tomadas em baquelite.

Como já vos tinhamos mostrado anteriormente as instalações eléctricas vão avançando aos poucos. Apesar de ainda não termos todos os fios colocados por dentro das paredes, tivemos de começar a pensar nos interruptores e tomadas que iamos colocar na casa. Como é evidente vamos escolher o antigo e apesar de na casa já existirem interruptores e fichas da linha que queremos, não existem na quantidade que desejamos. Para não falar que em determinados locais já tinham sido colocados alguns interruptores que nada tem a ver com os que preferimos. Já estamos habituados a procurar e procurar até conseguirmos encontrar o que desejamos e neste caso não existiu excepção. Corremos algumas feiras de antiguidades e velharias e fomos recolhendo aos poucos o que nos faltava até que finalmente temos o que precisamos. Foi até muito engraçado vasculhar as caixas cheias de velharias dos vendedores por aqui e por ali para escolhermos as preciosidades em baquelite. No meio de tanta coisa por vezes tentamos imaginar de onde devem ter vindo tantas surpresas e a que lares devem ter pertencido. Quantos dedos por aqui não passaram? Quantas lâmpadas não se acenderam ou apagaram por intermédio deste interruptores?
Na imagem seguinte podem ver um dos interruptores que já estavam na casa.


Nas imagens seguintes os interruptores e tomadas que conseguimos recolher nas nossas visitas às feiras de antiguidades e velharias.




Como já dissemos este material é de baquelite. Não sabem o que é baquelite? Fica aqui então um pequeno texto para satisfazer a curiosidade.

A baquelite é uma resina sintética, quimicamente estável e resistente ao calor e foi o primeiro produto plástico. Trata-se do polioxibenzimetilenglicolanidrido, ou seja, é a junção do fenol com o formaldeído (aldeído fórmico), formando um polímero chamado polifenol. Foi inventada em 1909 por Leo Baekeland, químico americano de origem belga, que efectuou as suas pesquisas entre 1907 a 1909 e fundou em 1910, a General Bakelite Company para a exploração industrial das suas descobertas. A Baquelite é formada pela combinação de polimerização de fenol (C6H5OH) e formaldeído ou aldeido fórmico (HCHO), produtos sintéticos, sob calor e pressão. Os rádios, telefones e artigos eléctricos como interruptores e casquilhos de lâmpadas eram formados por baquelite por causa das propriedades de resistência ao calor e isolamento. É resistente ao calor, infusível e forte, arde lentamente, pode ser laminada e moldada na fase inicial da sua fabricação, e é de baixo custo. A baquelite é pouco usada atualmente em produtos de consumo corrente. Os antigos produtos deste material, especialmente material de cozinha e brinquedos, tornaram-se artigos de coleção muito apreciados. Atualmente existem já tecnologias desenvolvidas onde a baquelite pode ser pintada com diversas cores e ainda receber tratamentos de superfície, que melhoram o acabamento do produto. Fala-se na sua  expansão no mercado devido a estas novas tecnologias e também à sua reciclagem, que até há pouco não era possível. A baquelite ainda é bastante usada em peças que necessitam de isolamento elétrico e isolamento térmico. (suportes de lâmpadas, conectores, entre outras coisas.)




Existe charme no ar... Vitrais.

E depois das tintas velhas retiradas, depois de colocada a nova massa para segurar os vidros, vamos contar-vos um segredo. As bandeiras que existem por cima das janelas traseiras não vão ser umas bandeiras quaisqueres. Todas elas são em vidro, é obvio, todas elas são do mesmo tamanho, é óbvio, mas as das janelas que dão para as traseiras vão ter uma arte que nos adoramos. O Vidro aqui é outro. Fiquem aqui com um “cheirinho” do que está a ser construido pelas mãos de um artista que descobrimos numa feira de antiguidades... Já ouviram falar em Vitrais? Verdadeiros Vitrais? Daqueles mesmo com pedaço de vidros, que levam fita de cobre e são posteriormente soldados a estanho e chumbo? Técnica Tiffany... Pois é mesmo isso que vamos ter por aqui. No final dos trabalhos mostramos por completo, mas por agora podem já deitar o olho à casa e deliciarem-se. Em breve publicamos também um texto sobre esta arte para satisfazerem a vossa curiosidade.

As janelas das traseiras já de cara lavada.

Lembram-se das janelas das traseiras? Aquelas assim com a tinta toda velha e detruída, aquelas janelas que já nem massa de vidro tinham para segurar os próprios vidros presos por pregos ferrujentos... Pois é, já não existem. Quer dizer, elas existem mas “de cara lavada”. Nas traseiras optamos por colocar  as janelas sem tinta, ostentando a cor natural da madeira e portanto aqui a tarefa foi retirar as camadas de tintas velhas com uma pistola de ar quente e colocar os vidros de forma segura com massa nova e direita. No final vão ser envernizadas, mas por enquanto já as podem ver sem tinta e com os vidros antigos bem suportados. Apenas tivemos de substituir um vidro que estava partido porque não os queremos rachados cá por casa. Vão-nos conhecendo ao londo do tempo e uma das coisas que podem ficar desde já a saber é que adoramos e acreditamos no Feng Shui, as técnicas orientais, que tanto admiram e seguem os ocidentais e portanto vidros partidos não podem cá “pernoitar”, pois trazem má energia à casa. Vejam aqui novamente uma imagem antiga das janelas e as novas imagens das mesmas já arranjadas.

Recordar a janela antiga...


e já de cara lavada...






Pela noite dentro...

Pela noite dentro damos forma à "casa". Serões que nos permitem adiantar um pouco mais os passos ainda longos a caminhar...

Criamos as novas aduelas da porta destruida e que foi escondida.

E como dito no post anterior, cá estamos nós a reconstruir a porta que estava escondida por pladures há anos. Mas que disparate esconderem uma porta alta e majestosa para criarem uma porta de plaquet, ôca, baixa e sem piada nenhuma. As aduelas já foram criadas como podem ver em baixo. Muito trabalhinho, mas tudo a ficar bonitinho. Aproveitamos a estrutra (estrutura em gaiola)  já existente e que estava escondida e depois foi só colocar as aduelas de madeira que vão suportar a porta. A porta, essa, nem sabemos por onde anda, mas nós vamos conseguir uma igual. Ai se vamos... Mas fiquem já com um “cheirinho” do que fizemos nas aduelas com madeiras novas que se identificam na perfeição nas imagens. Nada disto existia, mas nasceu nas nossas mãos.



A porta parasita foi fechada.

Lembram-se da porta escondida que aqui vos falamos que foi descoberta e que tinha dado lugar mais ao lado a uma porta parasíta numas obras há uns anos por conveniência da arquitectura da casa?
Pois, a porta parasita nada tinha a ver com a casa e aqui queremos o que é de origem como já vos tinhamos dito anteriormente, portanto como dissemos, lá a fomos “matar”. Não sei se se lembram mas para começarmos a tapar a porta aproveitamos uns tijolos de burro que vieram da cozinha e por cima tivemos de usar tijolos comprados como sempre e como tudo no Leroy Merlin. [http://www.leroymerlin.pt/lmpt/bricolage ] Já a tapamos e por ali já ninguém entra. Do lado da sala de jantar já está tudo acimentado, do lado do closet, está tudo ainda em tijolo, porque como podem ver ainda estão a ser feitas ligações eléctricas que apanham a zona onde a dita porta feia e rude existia. Em breve iremos também mostrar a feitura da porta que havia sido escondida mais ao lado desta e que decidimos recuperar e dar vida como havia sido criada na construção deste prédio centenário. Vejam como já está a ficar...

A porta parasita do lado da sala de jantar...


e a porta parasita do lado do closet...




Planos e apontamentos.

Nada, mas nada por aqui pode falhar. Já vos tinhamos dito que já andámos de volta das instalações eléctricas cá da casa, pelo menos em algumas divisões, como viram em publicações anteriores. Tudo aos poucos... Como é óbvio, nada pode ser feito de qualquer maneira, não fosse tudo isto para se certificar por um especialista nestas coisas de electricidade. Segurança é uma das palavras de ordem. E nós gostamos de estar seguros. Vejam os apontamentos que por aqui habitam as paredes.


E as janelas das traseiras?

Assim como as janelas da frente da casa, também encontramos as janelas traseiras num estado assustador. Com enormes faltas de tinta, massa de vidro inexistente em muitos locais entre outras falhas que provam que nada era restaurado ou cuidado. Mas isso é complicado para nós? Claro que não.