A minha foto
Antes… Um velho apartamento, antigo, cheio de memórias, mas esquecido, abafado, com os seus belos tectos descurados, paredes feridas, portadas cerradas, onde reinava a escuridão, soalhos de madeira desgastados, pisados pelo tempo, um tempo que foi passando, enquanto toda aquela beleza de um lar, ali estava em agonia, sufocada e condenada ao esquecimento, de dia para dia. Depois… Duas pessoas, à procura de um canto para reconstruir, para viver, decorar com o seu toque pessoal, com glamour, onde imperassem os pormenores vintage, art nouveau, déco, entre outros detalhes derivados de duas fortes personalidades. A cada dia, um desabrochar de novidades, de ideias, de momentos erguidos, de descobertas, de gostos glamorosos, um pequeno mundo, dentro de outro mundo. Um apartamento que ganhou vida aos poucos enriquecido de importantese significativas características pessoais.

Mais Estuques Trabalhados


E continuamos na casa com o mesmo gosto de sempre. O tempo não dá para tudo, mas vai dando para fazer aos poucos. E precisamos de mais estuques trabalhados. Mais estuques para colocar em determinados locais em que os mesmos foram caindo ao longo dos anos. O processo já o contamos aqui numa outra publicação idêntica, mas voltamos a dizer como o fazemos.

Plasticina para moldes, estuque em pó, e algumas madeiras para servir de amparo e eis que se faz uma magia. Através de um motivo existente no tecto, colocamos plasticina de forma a criar o motivo que queremos restaurar, (existe sempre motivos iguais aos que estamos a fazer por serem muitos) depois retiramos o molde, colocamos o estuque já preparado em estado líquido no molde, deixamos secar, retiramos o trabalho já feito e seco do molde e fica pronto a colocar no local em falta. Cola-se com estuque ou outro tipo de cola e pressiona-se no local com umas madeiras até estar bem colado e pronto a ser pintado como se ali estivesse há dezenas de anos. Nas imagens vemos peças dentro da plasticina ainda a secar e vemos flores já preparadas para colocar no tecto.

Hoje chove… Deliciem-se a ler e a ver como fazemos…



Janela Escondida


Lembram-se de vos termos falado no quarto interno que foi dividido por pladures e que deu origem a uma casa de banho e a uma divisão minúscula interna? Lembram-se da porta escondida propositadamente para se poder colocar um lavatório mais moderno dentro da casa de banho que criaram? Lembram? [http://umacasaportuguesa.blogspot.pt/2012/06/uma-porta-escondida.html] Pois, mas a porta escondida não foi a única coisa a ser escondida. Existiu também naquela divisão interna uma janela, que estava situada na parede que dá para o quarto exterior. Através dessa janela, a luz, a boa claridade, chegava ao quarto interno. Mas, quem resolveu criar a casa de banho não quis saber disso para nada, e para colocarem os pladures que deram origem a uma parede, taparam essa janela. Claro que nós não queremos a coisa assim… Como tal esgravatamos a parede e olhem o que encontramos…

 
Na imagem em baixo andávamos a "esgravatar"... A descoberta...



Na imagem seguinte vemos o interior da janela suportado por calhas metálicas mas já sem o forro exterior que a escondia...

 
Na imagem seguinte a Janela já aberta, onde se vê o tecto do quarto exterior que no passado a "alimentava" com luz da rua.

A casa veste Prada.


Lembram-se do Vitral em que nas laterais aplicamos uns vidrinhos Laranja não lembram? É dele que vimos falar uma vez mais antes de revelar as imagens… Quem nos acompanha já notou que adoramos o que é antigo, gostamos da Lisboa do início do Séc. XX, gostamos da Arte Nova, gostamos dos prédios de traça antiga, exuberantes, altos, carregados de janelas e portas adornadas, de pormenores que saltem à vista. Gostamos e por isso sempre que podemos, lá andamos na rua a olhar para o ar, precisamente para ver o que ainda resta do antigo bonito na cidade de Lisboa. E foi assim num dos nossos passeios noturnos na capital que descobrimos o motivo do nosso segundo Vitral cá em casa… Pois é. Alguns dos nossos preferidos são a maioria das construções de Lisboa que foram premiadas com o Prémio Valmor… Para quem não sabe o Prémio Valmor é um prémio de Arquitetura e que consiste desde 1902 em premiar todos os anos um dos novos edifícios de Lisboa. O prémio de acordo com a vontade do Visconde de Valmor era dividido em duas partes, uma para o Arquiteto e a outra para o proprietário do edifício premiado. Mas isto foi apenas uma curiosidade para quem não sabia… E foi então num destes edifícios que vimos uma imagem que gostamos, mais precisamente na Avenida da Liberdade em Lisboa, no edifício onde se situa hoje a loja da Prada, vencedor em 1915 e que é da autoria do Arquiteto Manuel Joaquim Norte Júnior. Se por lá passarem olhem para as bandeiras das janelas da loja da Prada e vejam as cestas de frutas lindas de morrer… Foi mesmo essas que quisemos reproduzir… Em ponto mais pequeno é claro, mas o mais parecido possível… Caso para dizer, não como no famoso filme “O Diabo veste Prada” com Meryl Streep e Anne Hathaway, mas sim que “A nossa casa veste Prada” :D
Fiquem com uma imagem da loja na Avenida da Liberdade, no já referido edifício vencedor de um Prémio Valmor em 1915. (imagem retirada da internet)
 
 

O segundo Vitral e a surpresa do tamanho.


E hoje andamos de volta do segundo vitral… Pois é… Lindo de morrer como devem calcular, mas desta vez, neste vitral a coisa não foi assim tão fácil. Os vitrais já estão connosco há algum tempo, mas não tínhamos ainda tido tempo de nos debruçarmos na sua colocação... Mas verificamos logo, logo, no início que algo de errado estava ali numa desta obras de arte… Agora já mete piada, mas no início ficamos um pouco assustados. Quando mandamos efetuar os dois vitrais, não reparamos que as bandeiras das duas janelas tinham alguma diferença em centímetros… Pois é! Imaginam o que aconteceu não imaginam? Um dos vitrais ficou curto demais para a bandeira onde deveria ser encaixado. Havia uma alternativa. A única no momento… Contactar o artista que lhes deu vida e pedir para acrescentar um pouco mais desta arte de cada lado e “Voilà”, mas a coisa não correu assim tão bem. Ligamos ao senhor que tínhamos encontrado na feira de antiguidades e nada de novo, nada de nos atender, portanto restou-nos a alternativa de nos deslocarmos a sua casa onde tínhamos levantado os vitrais e falar com ele. Carrito à estrada e lá fomos nós. Chovia torrencialmente. Chegado ao dito cujo local tocamos a campainha da antiga moradia, mas achamos estranho verificarmos a caixa de correio abarrotada com tanto papel e correspondência a transbordar… Nada de ninguém para nos atender. Restou-nos recorrer aos vizinhos para mais informações. Na rua um senhor passeava um cão. Perguntamos, mas nada nos soube dizer além de que já há algum tempo não via por ali o proprietário. De avançada idade teria ido para um lar? Falecido? O que é certo é que nunca mais o vimos nem nas feiras onde costumava estar :-/ Tínhamos agora de por nossa conta arranjar uma alternativa. Somos engenhocas e verificado que já tínhamos criado alguns perfis de madeira para algumas janelas, restou-nos, criar dois espaços, um de cada lado do vitral, de modo a que encaixássemos um vidro, laranja, que foi a cor escolhida, suportado por perfis, dois perfis. Um perfil paralelo à terminação da bandeira, o outro perfil, paralelo ao vitral e no meio um vidro colorido que ali ficasse bem. E foi assim que tudo tomou rumo novamente… Ufa. Vejam como ficou os encaixes laterais de que vos falamos. Aqui só mostramos as pontinhas onde podem ver uma parte do vitral e um pouco do vidro laranja colocado de ambos os lados. Depois iremos mostrar tudo já fixo no sítio que pertence.
 
Aqui podem ver a colocação do vidrinho laranja, suportado por perfis de madeira fina, que foi o salvador da coisa ;-) Está a correr muito bem...


 

O Vitral

 
Tínhamos dito que íamos falar um pouco do "Vitral", para quem não está muito dentro desta arte... E aqui estamos nós. Antes de publicarmos o segundo Vitral da casa, fiquem com um texto que criamos onde podem conhecer os diferentes tipos de Vitral existentes e a sua história. Reunimos toda a informação da Internet e achamos que é mais que suficiente para se apaixonarem...
 
O Vitral
 
O vitral é um tipo de vidraça composta por pedaços de vidro coloridos, que geralmente representa cenas ou personagens. É um dos elementos arquitetónicos característicos do estilo gótico. O vitral teve origem no Oriente por volta do século X. No entanto, foi no Ocidente que a arte se vincou, inclusive sendo atribuída aos romanos por alguns historiadores. Os vitrais na idade média eram usados para reforçar a espiritualidade. Os vitrais foram amplamente utilizados na ornamentação de igrejas e catedrais, uma vez que o efeito da luz do Sol que por eles passava, provocava uma grande imponência e espiritualidade ao ambiente, um efeito que era reforçado pelas imagens que neles próprios eram retratadas, na sua maioria cenas religiosas. Os tons que a luz adquiria ao passar pelos vitrais transmitia paz e imponência e, por esse motivo, a magnífica arte dos vitrais foi adotada pela arquitetura. Só a partir do século XIX é que o vitral se começa a despegar do tema religião, para também passar a ser usado como decorativo.
As técnicas utilizadas para a produção do vitral são:
Tradicional - Usada até aos nossos dias, onde são usadas peças de chumbo em formato de "U" ou de "H" como suporte para os diversos vidros que constituem o painel. A cor nas peças de vidro são originalmente obtidas pela adição de substâncias como o bismuto, o cádmio, o cobalto, o ouro, o cobre e outros, à massa de vidro em fusão. De peso elevado, os vitrais construídos assim apresentavam problemas de estrutura, fragilidade, deformação, manutenção difícil, além de um elevado custo.
Tiffany - Criado por Louis Comfort Tiffany(*), no início do século XX, também é referido como vidro e fita de cobre. As peças de vidro, envolvidas pela fita de cobre, são estanhadas e soldadas entre si. A coloração é obtida como na técnica tradicional. Embora pouco usada em grandes superfícies, permite a montagem de pequenas peças em três dimensões, como por exemplo caixas, candeeiros e outros objetos. (*)- Louis Comfort Tiffany (1848-1933) foi um artista, designer de interiores e empresário norte-americano, melhor conhecido por seu trabalho com janelas e lâmpadas de vitrais, com mosaicos de vidro e com joalharia. É uma das principais figuras do movimento de Art Nouveau.
Fusing - Consiste em fundir vários vidros num só.
Overlay - Técnica contemporânea, que emprega um vidro-base (por exemplo, de tipo martelado, duplo, laminado, temperado ou outros), que recebe uma camada ("layer") que contêm as pistas em relevo e as áreas coloridas. Essa camada pode ser criada diretamente no vidro por reação química de resinas epóxi e materiais compósitos mas há empresas, que fornecem tiras de chumbo e películas de cor autocolantes que, embora com pouca durabilidade, permitem uma montagem vertical em janelas já existentes.
Termoformado - Consiste em dar volume a um vidro plano, utilizando um molde que dá forma ao vidro após este ser fundido a alta temperatura. Em conjunto com a técnica de "fusing" permite criar vitrais tridimensionais, como por exemplo em candeeiros, cinzeiros, pratos, e outros.
Técnica de Grisalha e Esmaltes - Usada em conjunto com a técnica "tradicional". A grisalha é uma "tinta" artesanal usada para pintar pormenores (caras, mãos, sombras) pequenos demais para serem recortados em chumbo. Adere ao vidro depois de um processo de cozedura, resultando geralmente em tons amarelo/castanho. Na sua fórmula entram componentes como o nitrato de prata, goma e componentes mais ou menos secretos ou exóticos, como o vinho ou mesmo a urina. Os esmaltes são produtos transparentes compostos por partículas de vidro e óxidos misturados e levados a uma temperatura de fusão, o que confere cores de grande vivacidade ao vidro.
Gemmail - Uma justaposição de fragmentos de vidros coloridos, por vezes sobrepostos, que são colados uns aos outros, formando composições translúcidas.
Técnica de gravação - Também denominada de foscagem, é baseada em moldes em metal, cera ou película, e permite gravar os vidros com ácido ou jato de areia. Por ser acromático, não é considerado verdadeiramente um "vitral".
Pintura - Produz um falso vitral. O vidro substitui a tela como suporte e são empregadas tintas translúcidas. De baixo custo e execução relativamente simples, apresenta baixa longevidade.
 
“A translucidez do vidro é o melhor caminho para a penetração do Espírito Santo no coração humano”  - Poeta Ruskin